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Como falar sobre Criatividade?

Eu pretendia apresentar uma forma criativa de falar sobre criatividade, o que, além de redundante e, talvez, metalinguístico, é provavelmente uma obviedade e também uma piada sem graça. Mesmo assim, pensei seriamente sobre como fazer: talvez de um modo em que você leitor pudesse interagir, compondo junto comigo – e em tempo real – o conteúdo do que for discutido, talvez a apresentação de esquetes e efeitos auditivos disparados a medida em que você lê, capazes de lhe envolver e emocionar, ou ainda um modo de apresentação onde todos pudessem acompanhar o desenvolvimento do conteúdo à medida em que seguissem por uma exposição de peças artísticas, dedicadas a fruição presente nas mais originais obras… De fato me senti incapaz de definir o que considerasse algo “verdadeiramente criativo”.

Você, pessoa atenta e disposta, seria capaz de sugerir outras possibilidades? Pense um pouco e tente me responder… Tudo bem, eu espero…

(…)

E então? Qual ou quais ideias criativas você imaginou? Eu realmente gostaria de saber, embora saibamos que no momento talvez haja a dificuldade de termos que esperar até que você insira sua opinião nos comentários abaixo e eu consiga ler, talvez não seja muito prático visto que sua atitude mais provável agora deve ser continuar a ler esse texto. No entanto, foi interessante propor a você esse processo. Talvez o mesmo pelo qual passei para chegar até a seguinte conclusão: todas as ideias acima mencionadas considerei incompletas e frágeis.

Me vejo, portanto, diante de um desafio imenso. Por isso decidi demonstrar minhas inseguranças, utilizando-me de uma espécie de “discurso derrotista”. Assumo que não me julgo capaz de falar sobre criatividade ou de ser genuinamente criativo. No entanto, essa ideia depende de encarar a noção de criatividade sob determinado aspecto, isto é, se partirmos de um ponto de vista que tomo emprestado do senso comum: a visão da criatividade como algo original, novo, genial, inédito no mundo absolutamente diferente de qualquer outra coisa criada. Ao atingirmos esse ponto acredito que tenha notado onde quero chegar. É o momento de abrir espaço para o diálogo. Mas calma, ainda não é preciso que me envie aquela mensagem. Trago para discussão algumas pessoas que, diferente de mim, se julgaram capazes de falar sobre o assunto. É com elas que iremos dialogar.

Roberto Menna Barreto, Martha Gabriel, Giorgio Agamben, Vilém Flusser, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Bruno Munari, Karl Popper, Rubem Alves, Neil Gaiman, Fayga Ostrower. Em todos esses autores – acadêmicos e literatos –, buscamos o tema da criatividade relacionado ao Processo, sim com “P” maiúsculo, para enfatizar minha compreensão de sua importância para o caso. Seria o jeito de fazer, a Metodologia utilizada para produzir algo, algo criativo.

Dito isto tentemos criar algumas imagens, mais especificamente vamos entrar em um acordo sobre como podemos iniciar nossa conversa sobre o tema, pensemos então em alguns aspectos: 1. Criatividade costuma gerar curiosidade, costuma chamar atenção. 2. Criatividade evoca normalmente um incômodo. A percepção de algo criativo costuma nos deslocar, nos fazer pensar, estimula nossa imaginação, ou pelo menos nos faz pensar melhor sobre algo; 3. Criatividade envolve sinergia. Os processos criativos estão muitas vezes associados a confluências de múltiplos elementos, os quais, atuando em conjunto produzem um jeito diferente de articulação. Para trabalhar esses aspectos minha proposta aborda o tema sob um determinado ponto de vista, como não poderia deixar de ser. No caso, meu lugar de fala e ponto de partida é a comunicação e também a arte.

Não há campo de conhecimento que não tenha sido, de algum modo, afetado pela presença dos meios de comunicação na sociedade contemporânea, em especial o campo da criação artística. Nas últimas quatro décadas, o reescalonamento do papel dos meios de comunicação na ordem global pôs em relevo as relações necessárias entre comunicação e arte, que, num breve espaço de tempo, passaram a pautar não só o campo da criação artística como as reflexões científicas e filosóficas em torno da arte. (OLIVEIRA JR, Antonio Wellington 2011, p.10).

Meu lugar de fala é de um professor do curso de Publicidade, publicitário cuja experiência profissional sempre foi dentro da área e artista pertencente a um coletivo desarticulado. Minha pesquisa foi focada na produção artística pessoal e na observação do processo criativo. Atualmente procuro observar a relação desse processo com os conceitos de Tradução e Imaginário. Por que determinadas narrativas se fixam no imaginário popular em detrimento de outras? Como se dá (ou como funciona) o processo de atualização das narrativas por meio da tradução para diferentes mídias? São questões que me fazem perseguir um objeto de estudo coerente e uma pergunta mais relevante.

Contudo a proposta de discussão para este artigo trata de propor como abordar o tema amplo e curioso da Criatividade. Relembremos então dos aspectos que citei acima: 1. Curiosidade; 2. Incômodo; 3. sinergia. Estendamos esses três aspectos propondo o que podemos chamar de momentos, para explorar a noção de criatividade.

Quando eu disser “criatividade é” não se tratará de uma tentativa de definição, mas de um modo que escolhi, na falta de outro melhor, como recurso didático. “Criatividade é” significará em nossas conversas daqui em diante algo como: “é também… ou, é um dos modos pelos quais podemos entender o conjunto de suas características… ou ainda, pode ser analisada sob esse ponto de vista…

Dito isso trabalharemos com o seguinte:

Criatividade é resolução de problemas.

Criatividade é um cultivo.

Criatividade é o reconhecimento de padrões.

Criatividade é a capacidade de acessar um determinado estado de consciência.

Criatividade é um processo, uma movência e uma série de ações: dinâmicas e constantemente mutáveis. A criatividade se parece com o Método Científico.

Encaremos então as partes dessa divisão como momentos à criatividade.

Se quiser, separe seu caderno ou abra seu bloco de notas e siga acompanhando nossos futuros artigos e ensaios, ou ainda ouvindo nosso podcast. Não prometemos respostas definitivas, mas garantimos a apresentação de muitas boas perguntas, caso a sua intenção seja saber mais sobre a criatividade.

Bom trabalho para nós, foi um prazer.

Espero você em nossa próxima conversa.

Referências

OLIVEIRA JR, Antonio Wellington. Desterritorializações estético-científicas ou... sobre criação artística, pesquisa acadêmica e bordas: o caso do Projeto Balbucio. Artigo apresentado na Universidade do Porto – PT em 2011. Disponível em <http://balbucio.com/wp-content/uploads/2013/09/OLIVEIRA-JR-Antonio-Wellington-de-Quatro-Vezes-Balbucio-Porto.pdf> Acesso em 11 jan 2018.

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